sábado, 28 de junho de 2014

Pauleta: «O 9 está em perigo»

Pauleta admitiu, ontem, que os pontas-de-lança são cada vez mais escassos.No âmbito de uma confraternização que ocorreu à margem do Torneio Lopes da Silva, o antigo internacional justifica a ideia com as mudanças em termos táticos.

“A verdade é que poucas seleções têm pontas-de-lança de referência. Em termos táticos, nota-se que os extremos têm mais influência e considero que o verdadeiro n.º 9 está a desaparecer”, afirmou.

No entanto, foi o talento ao visar a baliza nesta prova que o levou a ser chamado à Seleção, como recorda. “Há 27 anos, lembro-me que marquei 7 golos e os Açores tiveram a melhor classificação até à altura (7.º). Foi devido a este torneio que no ano seguinte fui chamado à Seleção, com Queiroz, onde estavam Figo e Peixe, entre outros.”

Custódio também recorda alguns talentos que emergiram. “Grandes valores surgiram aqui. Na minha equipa (Braga) jogava o Hugo Viana e em Lisboa, por exemplo, lembro-me que estava o Quaresma”, sublinhou.

Só aplausos na chegada da Seleção Nacional

O avião que trazia a Seleção Nacional desde Campinas - depois de eliminada na fase de grupos do Mundial'2014 - aterrou no aeroporto de Lisboa pelas 6H02 deste sábado, com cerca de duas horas de atraso.

Os jogadores saíram cabisbaixos, cansados, e poucos acederam a autógrafos ou fotos com os cerca de 50 adeptos que os esperavam à saída. O ambiente esteve tranquilo e só se ouviram aplausos e palavras de incentivo.

À chegada, a comitiva dividiu-se: alguns jogadores seguiram viagem no autocarro da FPF, ao passo que outros tinham familiares à espera. Apenas Cristiano Ronaldo - que não quis falar aos jornalistas mas acenou aos adeptos, piscou o olho, mas recusou dar autógrafos - seguiu de táxi.

Éder: «É um sentimento amargo mas demos tudo»

Depois de uma viagem de cerca de 10 horas desde Campinas, no Brasil, até Lisboa, o avião que trazia a Seleção Nacional aterrou no aeroporto de Lisboa pouco passava das 6 da manhã.

À saída, os jogadores mostraram-se cabisbaixos, mas houve quem não fugisse às perguntas dos jornalistas.

"É um sentimento amargo, mas demos tudo...", afirmou Éder à saída.

Já o guarda-redes Beto não se mostrou surpreendido pela receção dos adeptos na capital portuguesa. 

"Os portugueses sempre demonstraram apoio à nossa selecção. Ficamos satisfeitos por receber carinho, seja de que forma for. Por poucos adeptos que sejam, sabe sempre bem ser recebido desta maneira", afirmou.

Nani: «Trabalhar para que os próximos anos sejam melhores»

Nani não deixou de agradecer a presença das dezenas de adeptos que esperaram pela Seleção Nacional esta manhã no aeroporto de Lisboa.

"O meu muito obrigado a estes adeptos por nos terem vindo receber desta maneira. Infelizmente, não lhe pudemos dar a alegria que tanto queriam... O futebol é mesmo assim. Agora vamos continuar a trabalhar para que os próximos anos sejam melhores. É muito bom saber que os portugueses estão connosco. Estamos felizes por isso", afirmou o jogador do Manchester United.

Já André Almeida foi parco nas palavras. "O apoio é sempre bom. Férias? Agora vou tratar da lesão... Vamos ver como estou", limitou-se a afirmar.

Varela: «Vamos focar-nos no Euro'2016»

Depois de uma viagem de 10 horas entre Campinas e Lisboa, a Seleção Nacional chegou esta manhã, pelas 6 horas, à capital portuguesa visivelmente cansada.

À saída, Varela não deixou de agradecer o apoio dos adeptos presentes e apontou já novos objetivos.

"É sempre bom quando somos bem recebidos. Se vamos focar-nos na qualificação para o Euro'2016? Sim, mas agora quero ir descansar porque a viagem foi longa e só consigo pensar em ir ver as minhas filhas e em estar com a minha família", afirmou o avançado.

Hugo Almeida: «Não fomos fortes para dar a volta por cima»

Hugo Almeida lamenta só ter podido "participar 5 minutos" nos jogos da Seleção Nacional no Mundial'2014, um campeonato para o qual seguiu "super bem física e psicologicamente". Em entrevista à TSF no dia em que a equipa das quinas chegou a Portugal, o avançado não escondeu a tristeza pela campanha curta dos Conquistadores no Brasil.

"É muito triste, não conseguimos os nossos objetivos. Participei simplesmente 5 minutos, porque uma lesão deixou-me fora dos jogos para ajudar Portugal. Senti-me super bem física e psicologicamente, mas é como tudo na vida: as coisas só acontecem quando têm de acontecer", afirmou.

E prosseguiu: "Não sei explicar ao certo o que aconteceu. Não fomos fortes para dar a volta por cima. O calor e a humidade não podem ser desculpa, mas foram uma desvantagem para nós. As coisas não correram como queríamos. O grupo encontrava-se muito bem, foi dos melhores grupos com os quais participei na seleção. Saímos de cabeça erguida".

Hugo Almeida preferiu não analisar a continuidade de Paulo Bento à frente da Seleção - "não me compete analisar", justificou - mas não lhe poupou elogios. "Gosto do mister e dos métodos que utiliza. É um treinador muito aberto com os jogadores, sempre pronto para ajudar e opinar".

A partir de setembro, arranca a fase de qualificação para o Euro'2016, competição na qual o avançado português espera ainda vir a ajudar.

"O meu grande objetivo imediato é resolver o futuro, saber para que clube vou, coisa que ainda não sei - neste momento não tenho contactos com ninguém. Sabendo que vou para um clube que me agrade, serei uma opção para ajudar a seleção".

Ronaldo: «O meu joelho acabou como começou...»

O diário espanhol "Marca" faz este sábado uma chamada de capa para declarações de Cristiano Ronaldo sobre o seu estado físico logo após o Mundial'2014.

"O meu joelho acabou como começou", diz o craque do Real Madrid ao diário madrileno, que adianta ainda a necessidade absoluta de repouso.

Recorde-se que antes do encontro com o Gana, o médico Henrique Jones garantiu que o capitão português "nunca nestes dois meses e meio treinou como está a treinar agora".

sexta-feira, 27 de junho de 2014

João Moutinho: «Aos 30 minutos já estava cansado em Manaus»

João Moutinho admite que esteve muito melhor frente ao Gana do que contra Alemanha e EUA e que o clima ajudou à sua melhoria de rendimento.

"Penso que fiz o melhor jogo dos três que disputámos, senti-me bem, mas nunca pensei jogar nas condições climatéricas em que jogámos em Manaus, por exemplo. Ao fim de 30 minutos já estava cansado, bem sei que as condições eram iguais para todos, não se trata de uma desculpa", disse o médio na zona mista do Mané Garrincha, após a vitória sobre a formação africana (2-1), sobre o qual Moutinho lamentou a falta de eficácia.

"Criámos oportunidades para passar aos oitavos de final e se as tivéssemos concretizado teríamos mesmo passado. Sabíamos que era uma tarefa difícil, mas entrámos com muita vontade de marcar mais golos do que marcámos, mas não concretizámos as oportunidades que criámos, também por mérito do guarda-redes do Gana. Vamos para casa de cabeça erguida. Hoje não conseguimos marcar os golos que precisávamos e estamos fora do Mundial", analisou.

Sobre a preparação da Seleção, Moutinho defendeu a escolha de Campinas para quartel-general da equipa: "Se Campinas foi o local de estágio indicado? Olhe, alguma seleção escolheu estagiar em Manaus? Que eu saiba não... A seleção alemã treinava às 13:00? Em Campinas os nossos treinos eram à 10:00 e eu pergunto-vos se não estava calor? O estágio que fizemos nos Estados Unidos decorreu em condições muito parecidas às que viemos encontrar em Campinas. Questiona-se agora tudo porque as coisas não correram bem dentro do campo, caso contrário nem falariam nessas questões."

Quanto às declarações de Cristiano Ronaldo sobre as limitações da seleção, o centro-campista desvalorizou e levantou a hipótese de as mesmas terem sido proferidas no calor do momento: "Penso que ele fez essas declarações logo a seguir a um jogo que não correu bem, com os Estados Unidos, não sei se era aquilo que ele, de facto, queria dizer, não sei se falou a quente. Temos uma excelente seleção, que pode ganhar a qualquer adversário, há dois anos por um triz que não chegámos à final do Euro 2012. Não podemos agora deitar tudo a perder e dizer que somos os piores. O Cristiano é o capitão, o melhor jogador do mundo, mas as suas declarações não nos abateram, sabemos o que ele quer e o que nós queremos. Interpretei essas declarações mais como um incentivo para darmos mais de nós próprios."

Da vitória "estéril" ao "fiasco" CR7 na imprensa mundial

Portugal foi ontem afastado do Mundial'2014, apesar da vitória frente ao Gana (2-1), uma eliminação "prematura" que faz eco esta sexta-feira na imprensa mundial.

Factor comum a todas as capas é a fotografia de Cristiano Ronaldo que se tornou na imagem da desilusão de uma vitória "estéril", como titula o "Mundo Deportivo", e que o vai já deixar a descansa, como sublinha o "As".

Na Argentina, o país do sempre "rival" Messi, CR7 faz mesmo a manchete, atribuindo-lhe o epíteto de "fiasco do Mundial".

João Pereira e Pepe no pior onze do Mundial

A Seleção Nacional alcançou uma das piores participações de sempre numa fase final de um Mundial. Os homens de Paulo Bento deixaram o Brasil apenas com um empate e uma vitória, falhando o primeiro objetivo para a competição: ultrapassar a fase de grupos. Talvez por isso, o jornal italiano "La Gazzetta Dello Sport" inclua dois jogadores portugueses no pior onze do Campeonato do Mundo até à data: João Pereira e Pepe.

As palavras para os dois defensores não são nada meigas. "João Pereira é um verdadeiro desastre. Pepe é ele mesmo", pode ler-se naquela publicação.

Além dos dois internacionais lusos, figuram outros futebolistas como Balotelli, Akinfeev ou o "fantasma" Diego Costa.

José Augusto: «Devíamos ter feito as malas mais cedo na partida para o Brasil»

O antigo internacional José Augusto considerou esta sexta-feira que a seleção portuguesa, com o estágio nos Estados Unidos, "colocou o dinheiro à frente daquilo que podia ser uma participação condigna no Mundial'2014".

José Augusto disse à agência Lusa ter sido esse o "handicap" da participação portuguesa no Brasil, em que falhou o acesso aos oitavos de final, e aponta o dedo à planificação e falta de experiência para preparar este tipo de competição.

"Depois do jogo com a Grécia deveríamos ter feito as malas e rumado ao Brasil e preparado os jogadores da melhor forma possível para o jogo com a Alemanha, que era a seleção mais forte do grupo, para obter um resultado à altura das nossas condições", referiu.

José Augusto considera que a seleção portuguesa teve uma prestação "muito negativa frente à Alemanha" e que a goleada sofrida (4-0) acabou por "influenciar, anímica e desportivamente, o desempenho dos jogadores nos restantes jogos".

"Os 4-0 não só afetaram moralmente a equipa como o estado anímico com que receberam o segundo jogo (com os Estados Unidos), que podia ter corrido melhor e não correu", justificou.

Ainda de acordo com o antigo internacional português, esta situação está relacionada com a falta de adaptação à recuperação física dos jogadores. Tanto dos que jogam em Portugal como nos restantes campeonatos europeus e que tiveram uma época desgastante.

"Isso foi fundamental e fez com que a participação não fosse aquela que deveria ter sido", defendeu José Augusto, considerando que o triunfo no último jogo frente ao Gana (2-1) serviu apenas para atenuar o balanço final da participação.

José Augusto considerou ainda que, além de Portugal possuir o melhor jogador do Mundo (Cristiano Ronaldo), tem ainda outros com alguma relevância e que deviam ter tido uma participação muito mais à altura das suas características.

"E isso, na minha ótica, com a experiência que tenho de fases finais e de treinador, só não foi possível devido à falta de recuperação física, anímica e tática. Nunca conseguimos apresentar um modelo de jogo que realmente viesse facilitar as características do Ronaldo", explica.

O antigo internacional reconhece que a seleção portuguesa teria que jogar para Cristiano Ronaldo, "mesmo sabendo de antemão que o seu estado físico não era muito bom, mas que era recuperável, como foi, mas isso não aconteceu".

"Portugal melhorou um pouco do primeiro para o segundo jogo e no terceiro fez muito melhor, mas já de nada serviu. Mesmo assim, o milagre podia ter acontecido. O Cristiano Ronaldo teve nos pés várias oportunidades, que em situações idênticas e em melhor condição física, não falha. Mas, ali falhou", disse.

José Augusto não coloca em causa o lote dos eleitos do selecionador Paulo Bento, considerando não haver muito mais por onde escolher, e deixa já o alerta, com a análise do Mundial, para a qualificação para o Campeonato da Europa daqui a dois anos.