João Moutinho admite que esteve muito melhor frente ao Gana do que contra Alemanha e EUA e que o clima ajudou à sua melhoria de rendimento.
"Penso que fiz o melhor jogo dos três que disputámos, senti-me bem, mas nunca pensei jogar nas condições climatéricas em que jogámos em Manaus, por exemplo. Ao fim de 30 minutos já estava cansado, bem sei que as condições eram iguais para todos, não se trata de uma desculpa", disse o médio na zona mista do Mané Garrincha, após a vitória sobre a formação africana (2-1), sobre o qual Moutinho lamentou a falta de eficácia.
"Criámos oportunidades para passar aos oitavos de final e se as tivéssemos concretizado teríamos mesmo passado. Sabíamos que era uma tarefa difícil, mas entrámos com muita vontade de marcar mais golos do que marcámos, mas não concretizámos as oportunidades que criámos, também por mérito do guarda-redes do Gana. Vamos para casa de cabeça erguida. Hoje não conseguimos marcar os golos que precisávamos e estamos fora do Mundial", analisou.
Sobre a preparação da Seleção, Moutinho defendeu a escolha de Campinas para quartel-general da equipa: "Se Campinas foi o local de estágio indicado? Olhe, alguma seleção escolheu estagiar em Manaus? Que eu saiba não... A seleção alemã treinava às 13:00? Em Campinas os nossos treinos eram à 10:00 e eu pergunto-vos se não estava calor? O estágio que fizemos nos Estados Unidos decorreu em condições muito parecidas às que viemos encontrar em Campinas. Questiona-se agora tudo porque as coisas não correram bem dentro do campo, caso contrário nem falariam nessas questões."
Quanto às declarações de Cristiano Ronaldo sobre as limitações da seleção, o centro-campista desvalorizou e levantou a hipótese de as mesmas terem sido proferidas no calor do momento: "Penso que ele fez essas declarações logo a seguir a um jogo que não correu bem, com os Estados Unidos, não sei se era aquilo que ele, de facto, queria dizer, não sei se falou a quente. Temos uma excelente seleção, que pode ganhar a qualquer adversário, há dois anos por um triz que não chegámos à final do Euro 2012. Não podemos agora deitar tudo a perder e dizer que somos os piores. O Cristiano é o capitão, o melhor jogador do mundo, mas as suas declarações não nos abateram, sabemos o que ele quer e o que nós queremos. Interpretei essas declarações mais como um incentivo para darmos mais de nós próprios."
Portugal foi ontem afastado do Mundial'2014, apesar da vitória frente ao Gana (2-1), uma eliminação "prematura" que faz eco esta sexta-feira na imprensa mundial.
Factor comum a todas as capas é a fotografia de Cristiano Ronaldo que se tornou na imagem da desilusão de uma vitória "estéril", como titula o "Mundo Deportivo", e que o vai já deixar a descansa, como sublinha o "As".
Na Argentina, o país do sempre "rival" Messi, CR7 faz mesmo a manchete, atribuindo-lhe o epíteto de "fiasco do Mundial".
A Seleção Nacional alcançou uma das piores participações de sempre numa fase final de um Mundial. Os homens de Paulo Bento deixaram o Brasil apenas com um empate e uma vitória, falhando o primeiro objetivo para a competição: ultrapassar a fase de grupos. Talvez por isso, o jornal italiano "La Gazzetta Dello Sport" inclua dois jogadores portugueses no pior onze do Campeonato do Mundo até à data: João Pereira e Pepe.
As palavras para os dois defensores não são nada meigas. "João Pereira é um verdadeiro desastre. Pepe é ele mesmo", pode ler-se naquela publicação.
Além dos dois internacionais lusos, figuram outros futebolistas como Balotelli, Akinfeev ou o "fantasma" Diego Costa.
O antigo internacional José Augusto considerou esta sexta-feira que a seleção portuguesa, com o estágio nos Estados Unidos, "colocou o dinheiro à frente daquilo que podia ser uma participação condigna no Mundial'2014".
José Augusto disse à agência Lusa ter sido esse o "handicap" da participação portuguesa no Brasil, em que falhou o acesso aos oitavos de final, e aponta o dedo à planificação e falta de experiência para preparar este tipo de competição.
"Depois do jogo com a Grécia deveríamos ter feito as malas e rumado ao Brasil e preparado os jogadores da melhor forma possível para o jogo com a Alemanha, que era a seleção mais forte do grupo, para obter um resultado à altura das nossas condições", referiu.
José Augusto considera que a seleção portuguesa teve uma prestação "muito negativa frente à Alemanha" e que a goleada sofrida (4-0) acabou por "influenciar, anímica e desportivamente, o desempenho dos jogadores nos restantes jogos".
"Os 4-0 não só afetaram moralmente a equipa como o estado anímico com que receberam o segundo jogo (com os Estados Unidos), que podia ter corrido melhor e não correu", justificou.
Ainda de acordo com o antigo internacional português, esta situação está relacionada com a falta de adaptação à recuperação física dos jogadores. Tanto dos que jogam em Portugal como nos restantes campeonatos europeus e que tiveram uma época desgastante.
"Isso foi fundamental e fez com que a participação não fosse aquela que deveria ter sido", defendeu José Augusto, considerando que o triunfo no último jogo frente ao Gana (2-1) serviu apenas para atenuar o balanço final da participação.
José Augusto considerou ainda que, além de Portugal possuir o melhor jogador do Mundo (Cristiano Ronaldo), tem ainda outros com alguma relevância e que deviam ter tido uma participação muito mais à altura das suas características.
"E isso, na minha ótica, com a experiência que tenho de fases finais e de treinador, só não foi possível devido à falta de recuperação física, anímica e tática. Nunca conseguimos apresentar um modelo de jogo que realmente viesse facilitar as características do Ronaldo", explica.
O antigo internacional reconhece que a seleção portuguesa teria que jogar para Cristiano Ronaldo, "mesmo sabendo de antemão que o seu estado físico não era muito bom, mas que era recuperável, como foi, mas isso não aconteceu".
"Portugal melhorou um pouco do primeiro para o segundo jogo e no terceiro fez muito melhor, mas já de nada serviu. Mesmo assim, o milagre podia ter acontecido. O Cristiano Ronaldo teve nos pés várias oportunidades, que em situações idênticas e em melhor condição física, não falha. Mas, ali falhou", disse.
José Augusto não coloca em causa o lote dos eleitos do selecionador Paulo Bento, considerando não haver muito mais por onde escolher, e deixa já o alerta, com a análise do Mundial, para a qualificação para o Campeonato da Europa daqui a dois anos.
Três dezenas de adeptos fizeram questão de marcar presença junto ao hotel para se despedirem da Seleção Nacional, que está de regresso a Lisboa. A chegada está prevista para a próxima madrugada (por volta das 5 horas).
Um dos adeptos que deu nas vistas foi Mário Oliveira Pereira, que tinha feito questão de saudar a equipa no dia da chegada a Campinas. O reformado de 71 anos, de Ourém, não passara despercebido a 11 de junho por não largar uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima. Esta sexta-feira, apesar da eliminação da equipa na fase de grupos, fez questão de voltar a estar junto da equipa.
Eduardo atuou por alguns instantes no Mundial, tendo sido favorecido pela lesão de Beto diante do Gana. O guarda-redes internacional português revelou que a "frustração" era um sentimento geral no balneário português, com a eliminação do Mundial do Brasil.
"O Beto deve sentir-se triste por ter saído, como é óbvio, ninguém gosta de sair. A minha frustração no final é a frustração de todos nós, porque não conseguimos o objetivo. Tentámos fazer tudo, encarámos este jogo como devia ser. Tentámos ganhar e fica a tristeza, pela equipa que tínhamos. Fomos sérios, mas não era isto que eu queria. As expectativas eram muito altas no início e criaram-se ilusões em torno daquilo que poderia ter sido feito", disse, no final da terceira e última ronda no Grupo G.
Cristiano Ronaldo lesionou-se na vitória da seleção portuguesa de futebol frente ao Gana, por 2-1, em jogo da terceira jornada do Grupo G do Mundial'2014.
De acordo com o boletim clínico, divulgado no sítio oficial da Federação Portuguesa de Futebol na Internet, após o encontro, o capitão da seleção lusa sofreu um "traumatismo direto no joelho direito", acrescentando que "apesar da situação dolorosa conseguiu terminar o jogo".
Além do marcador do golo da vitória lusa, o mesmo documento dá conta da lesão contraída pelo guarda-redes Beto, no mesmo jogo, no qual foi substituído aos 89 minutos, salientando tratar-se de um "traumatismo direto da crista ilíaca direita".
A seleção portuguesa ficou hoje afastada dos oitavos de final do Mundial'2014, ao terminar no terceiro lugar do Grupo G, atrás de Alemanha e Estados Unidos.
O selecionador Paulo Bento, apareceu no "flash-interview" da RTP, reiterando que a Seleção Nacional ficou condicionada imposta pela Alemanha no primeiro jogo (4-0) do Mundial e não foi possível contornar a situação adversa.
"O balanço é negativo. Não alcançámos o primeiro objetivo que tínhamos. Pela forma como decorreram os três jogos, tivemos o que merecemos, no fundo. As duas equipas que passam acabam por merecer", começou por dizer, fazendo um resumo daquilo que foi a competição nacional.
"Fomos demasiados condicionados pelo primeiro jogo. Deixou mossa na equipa. A reação teve algo de positivo quer no jogo dos Estados Unidos quer hoje. Na segunda parte de hoje não entrámos tao bem. Fomos muito melhores que o Gana e poderíamos ter uma vantagem melhor. Criámos oportunidades suficientes para ter um resultado volumoso que nos criaria alguma ilusão para alcançar a qualificação."
Sobre a continuidade à frenta da Seleção, Bento referiu que "a opinião manteve-se após 24 horas" e que não falou com Fernando Gomes, depois da conferência de imprensa da quinta-feira.
Bruno Alves mostrou-se resignado com a eliminação de Portugal no Mundial'2014, depois do triunfo escasso diante do Gana, por 2-1. Mesmo com a campanha curta no Brasil, o central salientou o orgulho que sente em ser português e no trabalho de todo o plantel e equipa técnica.
"O futebol é isto mesmo. Estou orgulhoso de todos os jogadores, equipa técnica e direção. Somos os mesmos que nos apurámos. Estávamos dependentes de outros para seguir em frente. Vamos seguir com o nosso rabalho. Estou orgulhoso de ser português e por termos demosntrado a nossa qualidade aqui no Brasil", destacou logo no final da partida.
Portugal saiu eliminado do Mundial'2014 logo na fase de grupos, depois de um triunfo escasso diante do Gana (2-1). No rescaldo da partida, Pepe lamentou a eliminação e afirmou que é um dia mau para todos os portugueses. Ainda assim, o central afirma que os Conquistadores deram tudo o que podiam.
"Não podíamos cometer os mesmos erros. É um dia difícil para todos os portugueses. Queríamos passar à fase seguinte, demos o máximo mas infelizmente não foi possível. Lutámos mas não chegou", começou por referir aos microfones da RTP Informação.
Questionado sobre a continuidade (ou não) de Paulo Bento, Pepe decidiu remeter a pergunta para os líderes da federação portuguesa, embora considere que os contratos são para cumprir.
"O mister tem contrato com a federação, só lhe cabe a ele e ao presidente falar. Os contratos são para se cumprir. É uma fase dura para nós, vamos assumir os nossos erros, não nos vamos esconder. Temos de tirar lições para que no futuro isso não volte a acontecer", rematou.
Nani reagiu à eliminação de Portugal do Campeonato do Mundo, dizendo que o cenário da passagem aos "oitavos" no jogo com o Gana era muito complicado.
"O objetivo era sair daqui com a cabeça erguida. Sabíamos que era difícil continuar na competição mas entrámos com muita motivação para ganhar", referiu o extremo após a vitória por 2-1 sobre os africanos.
O jogador admitiu ainda que a equipa acusou algum nervosismo no encontro: "Tivemos um bocado de ansiedade em marcar o mais rápido possível porque tínhamos necessidade de fazer muitos golos".
Questionado sobre a continuidade de Paulo Bento à frente da Seleção Nacional, Nani disse não saber o que vai na cabeça do técnico mas referiu que "tem feito um bom trabalho na Seleção".