Paulo Bento disse, esta quarta-feira, na conferência de imprensa do jogo com o Gana, que tem total confiança nos jogadores que convocou e que continua convicto que nestas foram as melhores escolhas.
"Nunca daria um prémio de carreira. Trouxe os que me davam mais garantias. Tive em conta aquilo que nos deram ao longo de quatro anos. Sei que são dois anos velhos do que em 2012 mas também sei que só são seis meses mais velhos do que em novembro".
Os jogadores da Seleção Nacional vão dar tudo para tentar materializar a réstia de esperança que há na continuidade em prova no Mundial'2014. A promessa foi deixada esta quarta-feira por Pepe, na conferência de imprensa de lançamento do embate com o Gana, amanhã, onde Portugal joga parte do seu futuro - a outra parte acontece no Estados Unidos-Alemanha.
"É difícil, mas temos de lutar, que é o lema de Portugal. E vamos fazê-lo até ao fim com as armas que temos, com intuito de ajudar a Seleção a passar à fase seguinte. Temos de fazer o nosso jogo independentemente do Estados Unidos-Alemanha. Vamos tentar ganhar também para honrar a camisola de Portugal. Depois veremos o que acontece", afirmou o defesa-central.
"Vamos preparar jogo com o Gana da melhor maneira possível. Sabemos que ele têm alas muito rápidos e um avançado com muita qualidade, e que também precisam de ganhar para passar. Mas temos de fazer é o nosso jogo", acrescentou.
"O 'mister' é que escolhe a equipa. Vou treinar de forma a preparar-me para estar no jogo de amanhã, dando o melhor de mim para ajudar, como sempre fiz. Agora sei que a Seleção Nacional tem jogadores com qualidade que podem jogar, como fez Ricardo Costa frente aos Estados Unidos", encerrou.
Ricardo Costa admitiu que a Seleção Nacional tem estado muitos furos abaixo do esperado no Mundial'2014. Confrontado com as declarações de Cristiano Ronaldo, o central alinhou pelo mesmo diapasão mas lembrou que a equipa tinha obrigação de fazer muito mais.
"Nunca nos considerámos favoritos a ganhar. Sabemos que somos uma equipa muito boa, que se conhece há muito tempo e que tinha as suas possiblidades mas nesta situação não é a verdadeira Seleção Nacional. Não demonstra a qualidade dos nossos jogadores, que é muita", referiu, em conferência de imprensa, o defesa português.
Depois da boa exibição diante dos Estados Unidos, Ricardo Costa foi confrontado sobre se espera continuar no onze, apesar do regresso de Pepe. "só me cabe trabalhar e ajudar no que for possível. Quem decide é Paulo Bento. Se me puser a jogar muito bem, caso contrário ficarei no banco a apoiar", referiu, garantindo que está em "grande momento de forma".
Humberto Coelho comentou igualmente as críticas quanto à preparação da Seleção Nacional para este Mundial, nomeadamente a escolha de Campinas para quartel-general da equipa, lembrando que São Paulo acolhe uma boa parte das formações presentes na fase final.
"Não é por acaso que 60 a 70% das equipas que estão neste Mundial estão aqui. Estamos a 15 minutos do centro do treino, o que é fundamental para evitar algum desgaste com as viagens. Temos um bom hotel. Foi por isso que escolhemos Campinas", disse o vice-presidente da FPF, admitindo, no entanto, que Portugal e outras formações do Velho Continente estão a sentir problemas: "Sabemos que as diferenças são muito grandes. Talvez as equipas europeias tenham mais problemas, pois não estão tão habituadas a estes climas."
De resto, Humberto Coelho lembrou ainda que muitas seleções, à imagem de Portugal, prepararam-se nos Estados Unidos e que a humidade em Manaus é importante. "Houve quatro jogos em Manaus e o Itália-Inglaterra, por exemplo, foi muito disputado. Nós, quando lá jogámos, estavam 26 ou 27 graus e aqui estão 22. A humidade é diferente, mas depois o doutor [n.d.r.: Henrique Jones] fala disso. De resto, a maioria das equipas estiveram nos Estados Unidos. E nós ganhámos lá ao México que, curiosamente, está a realizar um bom Mundial. Existem condicionalismos nos jogos de futebol", vincou.
A condição física de Cristiano Ronaldo foi, como era esperado, um dos assuntos abordados na conferência de imprensa onde estiveram presentes Humberto Coelho, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e o médico Henrique Jones.
"O Cristiano também jogou assim no Real Madrid", disse ao ser questionado por um jornalista espanhol sobre as condições em que o capitão da Seleção Nacional se tem apresentado.
O dirigente da FPF lembrou ainda que é preciso uma equipa para ajudar Portugal a ir mais longe: "Ronaldo tem uma influência muito grande, mas não pode jogar sozinho. A equipa é o suporte dos bons resultados da equipa e dele. Na Suécia, não foi só o Ronaldo. Houve o passe espetacular do Moutinho, por exemplo. O Cristiano é o melhor do Mundo e todos sabemos disso."
Apesar das contas serem muito complicadas para Portugal no que respeita ao apuramento para os oitavo-de-final do Mundial'2014, Ricardo Costa mantém a confiança na passagem e lembra que todos devem alinhar por essa ideia.
"Enquanto matematicamente for possível teremos de alimentar a esperança. Todos os portugueses devem acreditar ou então íamos embora hoje", disse o central, em conferência de imprensa, sublinhando que conhece bem o Gana, adversário de quinta-feira: "temos feito análise de todos os adversários, todos os jogadores têm uma pen para ver as equipas adversárias. São muito rápidos, muito verticais e gostam de jogar pelos flancos. Colocam muita gente no ataque e podemos aproveitar essa descompensação."
Portugal precisa que não haja empate no encontro entre Alemanha e EUA e Ricardo Costa acredita que os jogadores destas duas seleções terão honra para não "combinar" o resultado: "Acreditamos que as outras seleções vão lutar para ganhar. Ao intervalo saberemos o resultado e durante a 2.ª parte estaremos mais preocupados com isso, consoante também o nosso resultado (...) quanto és treinador de grandes seleções tens de respeitar o fair-play. Só pode estar à frente de uma seleção dessas quem tem dignidade. Se não vais para casa jogar com os teus filhos. A Alemanha vai atuar com outros jogadores mas esses vão querer ganhar e mostrar por que motivo estão nos 23."
Humberto Coelho disse esta terça-feira que a renovação do contrato com Paulo Bento foi pensada com vista ao Euro'2016 e que, por isso mesmo, não faz sentido rescindir com o selecionador após o Mundial'2014, onde Portugal se tem exibido abaixo do esperado.
"Não vemos razão para acabar vínculo com Paulo Bento", disse o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol em conferência de imprensa, explicando que o selecionador não estará a pensar sair e que espera que Paulo Bento "nos leve à fase final do Euro'16": "Até agora o Paulo Bento nunca colocou essa situação. Temos um compromisso, mais um jogo, e depois não sei qual o pensamento dele. Há dois meses assinámos um contrato de mais 2 anos com o Paulo Bento. Estamos tristes com os resultados, como todos os portugueses, mas ainda não atirámos a toalha ao chão. A FPF assinou com toda a perspetiva de irmos até ao Europeu de 2016. Há muito tempo que vamos às fases finais e queremos manter essa sequência."
Humberto Coelho lembrou que antes do arranque do Mundial'2014 Paulo Bento era quase consensual entre os portugueses, fruto seu percurso. "Quando renovámos, creio que a maioria dos portugueses estava de acordo. Queríamos manter a estabilidade. Isto, contudo, não significa que deixaremos de reunir com todos os departamentos para analisar o que correu mal. Não trabalhamos com pressão, mas sabemos ouvir, não somos moucos e queremos sempre melhorar o que temos feito", analisou.
Mais tarde, o dirigente sublinhou que, do lado de Paulo Bento, não poderá adivinhar a futura decisão: "Paulo Bento nunca colocou o seu lugar à disposição. Mas não nos chegou qualquer indício de que Paulo Bento vai sair."
O regresso aos treinos da Seleção Nacional esta terça-feira, depois do empate frente aos Estados Unidos (domingo), ficou marcado pela confirmação das limitações de André Almeida, Hugo Almeida, Hélder Postiga e Rui Patrício, devido a lesões.
Paulo Bento orientou assim uma sessão de trabalho que contou com 18 jogadores, com o quarteto de lesionados a trabalhar à parte, sob orientação do fisioterapeuta António Gaspar.
O médico Henrique Jones e o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol Humberto Coelho vão marcar presença numa conferência de imprensa esta tarde.
Para as 19 horas está marcada outra conferência de imprensa com Ricardo Costa.
Os exames realizados por André Almeida e Hélder Postiga não indiciam lesões graves, de acordo com o boletim médico divulgado pela Federação Portuguesa de Futebol.
Substituídos no jogo com os Estados Unidos, os dois jogadores foram esta segunda-feira submetidos a exames, tendo despistado qualquer problema grave.
André Almeida apresenta «dor na região antero-lateral, proximal, da anca esquerda em contexto músculo-articular traumático», sem indício de «lesão de fibras musculares».
Quanto a Hélder Postiga, «apresenta dor na região posterior da coxa esquerda em contexto de contratura muscular», também sem indícios de «lesão de fibras musculares».
De baixa, recorde-se, continuam Rui Patrício e Hugo Almeida, enquanto Fábio Coentrão já regressou a Portugal, devido a lesão muscular no adutor da coxa direita
O defesa João Pereira não acredita que Cristiano Ronaldo tenha dito que a Seleção Nacional é uma equipa com muitas limitações, que é mediana e que, nesta altura, não estão em condições de competir com equipas de topo.
«Não sei se foram essas as palavras de Ronaldo. Tenho dúvidas. Há dois anos tínhamos qualidade e essa qualidade não foi embora. Começamos com uma derrota e ontem estivemos em vantagem e consentimos um empate. Podemos não ser a melhor seleção do mundo ou não estar entre os três primeiros, mas temos qualidade», afirmou João Pereira, em conferência de Imprensa.
O defesa garantiu que ninguém está a fugir da responsabilidade.
«Os culpados são sempre os jogadores. Somos nós que jogamos e tomamos as boas e as más decisões. Na quinta-feira não nos vamos esconder.
O internacional português João Pereira assumiu, esta segunda-feira, que ninguém jogador irá esconder a cara após o jogo, de quinta-feira, frente ao Gana.
«Depois do jogo com o Gana todos os jogadores vão estar cá para dar a cara e ninguém se vai esconder», garantiu João Pereira em conferência de Imprensa.
O lateral assumiu que todos esperavam um resultado diferente na partida frente aos Estados Unidos.
«Tínhamos a responsabilidade e o dever de derrotar os Estados Unidos. Ninguém está mais triste do que nós, porque vivemos em primeira mão o que tem acontecido. Não pensávamos que iríamos perder por 4-0 frente à Alemanha e que iríamos empatar frente aos Estados Unidos. São coisas sem explicação.»