Fábio Coentrão foi uma das surpresas da noite em Foxborough, no triunfo (1-0) diante do México. Paulo Bento colocou o esquerdino no meio-campo e as indicações até foram positivas.
"Jogo a defesa, a médio ou a avançado. O que quero é ajudar o nosso país. Não estou habituado a jogar naquela posição mas acho que fiz um bom jogo", considerou.
Paulo Bento ficou feliz pelo triunfo tardio ante o México (1-0) até porque o primeiro objetivo é sempre ganhar. O selecionador nacional sustentou que a Seleção Nacional até foi melhor na primeira parte.
"Ganhar é sempre o grande objetivo. A verdade é que na primeira parte não fomos tão dominadores mas penso que fomos mais contundentes e tivemos o jogo mais controlado. Tive as melhores oportunidades na primeira parte. Poderíamos ter aproveitado melhor as variações do centro do jogo. A segunda parte foi equilibrada até meio e depois, admito que fruto de algum desgaste, o México teve duas oportunidades e o Eduardo opôs-se, fazendo um jogo fantástico. Tivemos alguma felicidade nessa fase do jogo. É de registar o esforço que temos vindo a fazer e atitude que tivemos no jogo", reagiu em declarações à RTP no final da partida do Gillette Stadium.
"Veremos o que podemos fazer na próxima terça-feira quanto ao sistema e quanto às experiências a fazer. André Almeida jogou a defesa esquerda por colocámos Fábio [Coentrão] no corredor central. O Éder alinhou, aproveitando o bom momento. Até ao jogo da Alemanha, veremos o que iremos fazer para esse jogo", concluiu.
Na ausência de Cristiano Ronaldo, Bruno Alves foi o capitão de Portugal e acabou por ser decisivo ao marcar o único golo da partida já nos descontos.
"É um lance que temos trabalhado, não é a primeira vez que o João Moutinho fez uma assistência para eu marcar. O mais importante foi a atitude da equipa que esteve muito competitiva. Gostei de todos os jogadores. Parabéns à equipa. Cada vez estamos melhor para nos estrearmos no Mundial", referiu em declarações à RTP, acrescentando ainda que "quanto mais cedo ganharmos cultura de vitória, melhor" já que "todos os jogos são para vencer".
Grande figura na vitória por 1-0 diante do México, pelas defesas que fez, o guardião português Eduardo destacou o orgulho que sente em jogar pela Seleção Nacional, garantindo estar pronto para tudo.
"Para mim é sempre um orgulho e uma sensação indescritível vestir esta camisola e representar o meu país. Faço o meu trabalho e agradeço a confiança que recebi depois de um ano difícil. Quero agradecer a quem acreditou em mim e a quem apostou em mim", começou por dizer, à RTP.
"Sinto confiança, que me é transmitida todos os dias pelos companheiros e treinadores. Nos momentos difíceis aparecem os amigos e os companheiros. E felizmente hoje correu tudo bem", acrescentou.
"Desde primeiro dia a minha disposição é total para o que for preciso. Estou aqui para ajudar, para o que o selecionador quiser. É sempre um motivo de orgulho! Estamos a trabalhar passo a passo, estamos a arranjar soluções e não nos vamos lamentar. Temos de procurar soluções e fazer tudo em busca do objetivo", concluiu.
Se os grandes jogadores aparecem nos grandes momentos, o melhor do Mundo em título não quer ser, naturalmente, exceção. Cristiano Ronaldo está “obcecado” com a sua recuperação, pelo que aposta forte em chegar ao Brasil nas melhores condições. Tudo a pensar em ajudar a Selecção Nacional a fazer boa figura no Mundial’2014.
Segundo apurou Record, o capitão tem perfeita noção de que o sucesso de Portugal no Brasil depende muito da sua condição física. E isto é tudo o que precisa para se motivar e concluir com sucesso o plano de recuperação que lhe foi imposto. Cristiano Ronaldo distingue-se dos demais pelas qualidades que fazem dele uma das grandes figuras do desporto-rei. Uma delas é o profissionalismo cimentado à conta de uma entrega de alma e coração. Ora, o “7” está, mais uma vez, a dar o exemplo. Mesmo sem forçar, nem correr riscos de qualquer tipo, Ronaldo continua a seguir ao milímetro o plano de treino que as equipas clínica e técnica da FPF traçaram a pensar na sua recuperação. Os cuidados são redobrados, até porque a isso obriga a lesão no tendão rotuliano da perna esquerda.
Plano exigente
António Gaspar, conceituado fisioterapeuta com profunda ligação ao desporto, está a seguir Ronaldo a par e passo, qual “médico de família” do Bola de Ouro FIFA. Mesmo sendo poupado ao esforço quando não integra as sessões de trabalho junto dos colegas, Ronaldo, acaba por treinar muito mais vezes do que os companheiros. Sempre com uma meta no pensamento: dar o melhor nesta fase, para elevar os índices físicos aos 100 por cento quando se aproximar a estreia no Campeonato do Mundo, contra a Alemanha, dia 16.
Ronaldo tem surgido no relvado a cada treino dos Conquistadores nos Estados Unidos. A imagem que passa dá conta de um capitão em gestão de esforço, que corre à margem do grupo e integra a sessão apenas em exercícios ligeiros e pontuais. Pura ilusão. O dia a dia de Ronaldo é mais do que isso. Muito mais, aliás.
Profissional até nas folgas
Ao trabalho de campo, maioritariamente corrida e exercícios ligeiros com bola, o extremo alia mais algumas sessões diárias no ginásio. O dia do capitão, sabe o nosso jornal, começa bem mais cedo do que o dos restantes convocados, sendo preenchido com exercícios físicos que visam a recuperação da lesão, mas também conseguir com que os índices físicos de Ronaldo se mantenham “em dia”. É no ginásio que passa a maior parte do seu dia, sempre a pensar em debelar rapidamente o problema. Até lá, continuará a seguir o plano à risca e sob a receita de sempre: o tal profissionalismo que faz dele um exemplo a seguir.
Aliás, basta lembrar que, no último domingo, o dia seguinte ao duelo com a Grécia e o mesmo em que Paulo Bento decretou folga até às 23 horas, Cristiano Ronaldo foi o primeiro a apresentar-se na concentração. E o que fez, então, o capitão? Ora, desceu ao ginásio da unidade hoteleira, juntamente com António Gaspar, para nova sessão de trabalho em pleno dia de... folga.
Ponto da situação
» Ronaldo tem uma tendinose rotuliana no joelho esquerdo. O problema é preocupante, mas não irrecuperável. Para já, impede-o de trabalhar a 100 por cento e força-o a cumprir um plano de treino personalizado
» Até à estreia no Mundial, seguirá o plano que lhe foi imposto: tratamentos e trabalho entre ginásio e relvado, sob a supervisão de António Gaspar
» Apesar da incerteza, Ronaldo não desiste. Está obcecado com a recuperação e por isso trabalha mais do que os restantes companheiros
No Grupo G do Mundial-2014, Portugal enfrenta os Estados Unidos à segunda jornada, a 22 de junho. Paulo Bento, agora selecionador nacional, foi um dos internacionais que esteve em campo na dececionante derrota da equipa das quinas, em 2002, frente aos americanos, por 2-3. Esse resultado, garante o selecionador, não pesará nos jogadores, dos quais não resta nenhum nos convocados, doze anos depois.
«Aquilo que se passou há uns anos atrás criou-nos, é verdade, muitas complicações ao nosso objetivo nesse Mundial, mas não terá qualquer tipo de influência na segunda jornada deste. Se o jogo com o México serve de preparação específica para o confronto com os Estados Unidos? Quer com o México e com a República da Irlanda temos em conta o que o adversário nos pode oferecer, mas estamos é preocupados com a nossa forma de jogar», analisou.
Questionado em conferência de imprensa sobre o seu conhecimento da seleção do México, Paulo Bento, selecionador nacional, destacou cinco jogadores do conjunto orientado por Miguel Herrera, por diferentes motivos: Herrera, Reyes, Rafa Marquez, Guardado e Javier Hernández.
«É uma equipa de muito boa qualidade técnica, com jogadores muito experientes: casos de Marquez [34 anos] ou Guardado [27 anos]. Depois há outros do campeonato português: Reyes e Herrera [FC Porto], com uma margem de progressão elevada. Há ainda Chicharito [Hernández] na Premier League. É importante a jogar na área», analisou o selecionador da equipa das quinas, que estabeleceu um paralelo entre as formações portuguesa e mexicana.
«Tal como nós tiveram dificuldade para chegar ao Mundial, tiveram de disputar um play-off. Alternam entre o 4x4x2 e o 3x5x2 e tentaremos, dentro do nosso desenho habitual, escolher a melhor estratégia. Será um jogo bonito para as pessoas verem», disse Paulo Bento sobre a partida da madrugada de sexta-feira para sábado, às 1.30 horas, no Gillette Stadium, em Foxborough.
Sem adiantar mais informações quanto ao estado clínico dos jogadores da Seleção Nacional, Paulo Bento não deixou, contudo, de criticar a gestão dos calendários competitivos de clubes antes das competições a nível de seleções.
«De há uns anos para cá que os jogadores chegam aos campeonatos da Europa e do Mundo com alguma fadiga física e emocional, dada a quantidade de jogos que têm na temporada. Já tive oportunidade de dizer que se está a provocar um desgaste tremendo nos jogadores, portanto, o caminho não me parece que seja o mais ajustado. Aliás, a tendência será piorar este estado de coisas e não melhorá-las», comentou o treinador de 44 anos.
Questionado sobre a condição atual de Pepe, Paulo Bento aplicou a mesma regra que para Ronaldo e optou por não dar mais informações que as já veiculadas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Mas no caso da eventual recuperação de ritmo pela parte do central português, que já leva algumas semanas sem jogar, o selecionador foi mais longe.
«Como Pepe irá ganhar ritmo? Estamos a falar de um jogador que fez uma época tremenda, com qualidade tremenda e quantidade de jogos extremamente elevada. Teremos de observar e depois decidir qual o momento em que o integramos, e depois decidiremos quando estará em condições de competir», referiu o selecionador nacional em conferência de imprensa de antevisão da partida com o México, sexta-feira.
Paulo Bento recusa alongar-se em comentários sobre a condição física de Cristiano Ronaldo, argumentando que a opinião que expressou antes do jogo com a Grécia, na passada sexta-feira, continua válida.
«Antes do jogo com a Grécia falei em função do que perspetivávamos ser uma evolução do estado físico em que Ronaldo chegou. Ele não é o único caso clínico, há vários jogadores com problemas físicos. A minha expectativa e opinião e forma de entender todo este processo em nada mudou em relação a essa sexta-feira. Nada posso alterar», observou o selecionador nacional, na conferência de Imprensa de lançamento do jogo de preparação com o México.
«Mas também não posso, nem quero, alterar as vossas fontes, palpites e prognósticos. Continuarei a fazer o trabalho que temos estado a desenvolver», indicou.
«A decisão de quando integrará [os treinos] e estará em condições de jogar será feita como sempre na Federação Portuguesa de Futebol, ou seja, com o jogador, o departamento médico e comigo, que tenho de tomar essa decisão», frisou Paulo Bento, que se mostrou visivelmente exasperado perante a insistência dos jornalistas no tema Cristiano Ronaldo.
«Não consigo explicar melhor. Só o poderei fazer mais alto e não o pretendo fazer», avisou, rematando:
«Não sei quando o poderemos colocar a jogar. Se houver algo a alterar em relação ao que disse na sexta-feira, será comunicado. Vale o que nós comunicamos».